sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Diario do Fim do Mundo - Capitulo 1


(sábado, 20:10 h)

Apenas vi meu sangue correndo pelas minhas mãos e ao mesmo tempo sentia minha vida se esvaindo do meu corpo.
Sentia uma dor de cabeça enorme e a sensação tontura ficava cada vez pior, minha vista já estava ficando embaçada, a todo instante pensava: “Estou morrendo, ninguém vira me ajudar? Maldita noite, deveria ter ficado em casa.”
Mesmo com a boca ensangüentada e o pescoço cortado tentei gritar, mas parecia ser inútil, os corredores do hospital ficavam cada vez mais longos e maiores, eu via apenas a claridade das lâmpadas, minha voz era apenas um sussurro naquele lugar frio e vazio, “socorro, tem alguém ai?” mas ninguém ouviu, o fato mais estranho era não ter um médico, enfermeira, paciente ou mesmo um guarda naquele andar. Então juntei minhas ultimas forças para chegar até um quarto mais próximo, porém, foi tudo em vão, não tinha forças em meus braços nem para me arrastar, naquele instante pensei: “Deus, estou indo, como será o outro lado? Sempre quis saber, mas sou tão jovem ainda, por que não fiquei em casa, por que, por que?”
Naquele instante a dor desapareceu, meus olhos que se forçavam para ficar abertos cederam e se fecharam, minha respiração ficou lenta e fraca. Na minha mente, começaram a surgir imagens de pessoas próximas, amigos, familiares, meu cachorro, os vzinhos, o ultimo rosto que eu vi foi o rosto dela, uma certa garota que morava na casa ao lado da minha, e, eu gostava de verdade dela, mas nunca tive coragem de dizer, acabamos sendo só amigos, na verdade, acho que ela tinha raiva de mim, pois sempre que chegava em casa com alguma menina, ela ficava uns dois ou três dias sem falar comigo. Ta certo, agora já não é hora pra arrependimentos, eu fui um babaca e pronto, será que isso me levaria ao inferno? Naquele instante tudo sumiu, ouvi apenas um zumbido longo e baixo, que logo desapareceu também e deu lugar ao silencio, um silencio que nunca havia presenciado até hoje.
O tempo parecia não passar, o silencio continuou, tudo aparentava ser uma eternidade, horas e minutos pareciam não fazer mais sentido, porem, meus olhos se abriram de forma brusca e repentina, como se fossem puxados, as luzes pareciam mais fortes, era como se eu houvesse dormido uma eternidade, será que eu tinha morrido? Será que aquilo seria minha pós vida? Não, não poderia ser, tinha sangue em minhas mãos, e minhas roupas estavam ensangüentadas, o chão também tinha uma poça, que eu logo pensei, isso tudo é meu sangue? 
Não sabia ao certo por que, mas eu estava vivo, e sentia apenas uma leve dor no pescoço, no local onde o animal havia me mordido. Até agora não entendi, que animal era aquele e o que um animal daquele porte fazia em um hospital no meio da cidade? Será que mais alguém o viu?
Tudo que eu me lembro é que parecia um cachorro, mas era grande pra um cachorro comum, não tinha o tamanho de uma pessoa, mas andava sobre duas patas, era magro, sua pelagem era cinza escuro, eu acho, só consegui vê-lo depois que já tinha sido mordido, era rápido demais.
Gostaria que tudo tivesse sido apenas um pesadelo, queria acordar na minha cama agora e tomar um copo de água, mas, acho que não, não foi um sonho, a dor no meu pescoço mostrava que tudo tinha acontecido de verdade, só me restava levantar e procurar ajuda, sabe-se lá o que esse cachorro tinha, raiva, ou coisa assim, foi isso que talvez tenha me derrubado, a infecção da mordida.
Caminhei cambaleando pelos corredores desertos do hospital, tinha perdido muito sangue, estava com uma tontura enorme. Quando virei a esquina do corredor, percebi que realmente algo muito estranho tinha acontecido naquele lugar, vi o corpo de uma enfermeira todo dilacerado no chão, aparentemente tinha sido uma moça muito bonita, deveria ter uns 25 ou 28 anos, com logos cabelos loiros, que, agora estavam banhados em sangue, aqueles olhos azuis me olhavam com tanta intensidade, que cheguei a pensar que ela ainda estava viva. Um grande ferimento no pescoço, arranhados nos ombros, pernas, faltava um sapato.
Cheguei a conclusão que tinha algo errado acontecendo ali, talvez eu tivesse tido mais sorte que aquela pobre moça, a criatura me poupou mas tirou a vida dela, é estranho como ciclo da vida funciona, naquele momento me passou uma certa culpa, como se eu pudesse ter feito algo. Agora já era tarde demais, minha cabeça estava doendo e eu continuava tonto, mas por sorte minha um grupo de médicos caminhava em minha direção pelo lado oposto do corredor, apenas tive tempo de olhar pra traz e dizer: “Vocês demoraram”, então desmaiei de novo. Quando acordei novamente, estava em um quarto no hospital, com um monitor cardíaco do meu lado e um balão de oxigênio do outro. Naquele instante me senti seguro. Mal  imaginava eu que o pior ainda estava por vir...

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